No more kilos

Probably not.... but we can hope!



Capítulo IV
Os pontos de pressão

Na caminhada de perda de peso, a “água” ficava cada vez mais condicionada. Estaria a barragem pronta?
Seria estanque?
Como a engenharia tem mistérios insondáveis para quem deixou de ter matemática no 9º ano, eu “humanista” de formação procurava compensar o provável desajustamento da barragem ao peso da água, com algumas formas de alívio de pressão.

A certeza era sempre a mesma, eu estava a fazer tudo bem, porque a balança assim o dizia.

As minhas formas de alívio, surgiam normalmente ao fim de semana; relaxava-se mais, comia-se como antigamente e ganhava-se novo alento para mais cinco dias de luta contra as calorias.
Fosse para descansar, fosse para matar a saudade, o espírito mantinha-se positivo: afinal eu estava a emagrecer, a fazer tudo certinho e não tarda muito vou deixar de ser gorda e a minha vida vai começar. Agora é que vai.
Sim porque apesar de me tentar convencer que perder peso é um trabalho eterno, no fundo também eu sonhava que não fosse.
Desperdício de sonho, o que devia desejar era a capacidade para me manter com aquela pica anormal por mais de dois anos.

Este era o meu escape, no sábado e domingo, esquecer aquele sacrifício e comer: o estômago não gostava muito, e até isso eu via como óptimo: O MEU CORPO JÁ SE QUERIA MAGRO!

Os dias e meses passavam e eu não percebia a big Picture! Auto enganada e com problemas de interpretação.
Afinal não estava a ter o que queria, estava a conseguir algo parecido.

Eu queria ser magra, mas a única coisa para a qual estava a trabalhar era para emagrecer.
Fisicamente, emagrecer é perder peso e como tudo o que é físico tem uma explicação e solução.

Emagrecemos reduzindo a ingestão de calorias a par de um aumento do gasto calórico.
Não importa para aqui que calorias cortamos, planos alimentares e tal; aliás nem me venham convencer que vos importa também.

Ser magro é um estado, está na mente, não é palpável.
Queremos ser magras ou estar magras porque reduzimos o nosso corpo?

E eu preocupadinha em comer certinho, fazer ginásio 5 dias por semana e ter prémios ao fim de semana… tola!
Moral da história, era sempre a mesma gorda, tinha uns iatos de fome, mas de resto, mantinha a personalidade gordona bem viva.

No geral, compensava o constante pensamento em comer (no que não podia), com o pensamento em comer.
E a cada segunda, remoía ainda mais um pouco sobre comida (do remorso).
Isso era descanso? Alívio de pressão?
Era sim como levar o telemóvel ligado para a cama.

“SE SOUBESSES TINHAS FEITO AS COISAS DE MANEIRA DIFERENTE?”
Aposto que sim!

2 comentários:

É o que mais me desanima, isto ser uma mudança para a vida inteira. Beijinhos

Sempre disse que não custa emagrecer o que custa é manter-se magra... São outros quinhentos.

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